Edição do dia 09/11/2015

Lixo eletrônico vai chegar a 48 milhões de toneladas em 2017 no mundo. Toneladas de material são descartadas com as novidades da tecnologia.

O mundo inteiro tem visto o crescimento ameaçador de uma forma de poluição que avança em ritmo acelerado: a do lixo eletrônico. Alguns números da ONU mostram o tamanho desse problema. Em 2017, o volume desse lixo no planeta vai ser de quase 48 milhões de toneladas. É o equivalente a 130 prédios como o Empire State Building, de Nova York. E o Brasil aparece entre os países que mais geram lixo eletrônico.  No continente americano, a gente só perde para os Estados Unidos.

O destino e a reciclagem desse tipo de lixo são temas da série de reportagens do Dennys Leutz e do Alberto Gaspar que o Jornal Nacional apresenta a partir desta segunda-feira (9).

Assim que o dia começa, desde o primeiro copo d´água, por trás de cada gesto: eletrônica. Café da manhã, notícias. Ao sair de casa, alguns equipamentos nos acompanham, e vamos acionando outros, pelo caminho.

Se carregássemos, com a gente, todos os eletroeletrônicos que usamos, a imagem seria absurda. E a paisagem ao redor? Das ruas, da cidade inteira? A maior parte dos aparelhos não sai de casa. Mas todos, cedo ou tarde, são descartados. Lidar de maneira adequada é um desafio que preocupa o mundo inteiro.

A última estimativa é de 1,2 milhão de toneladas de lixo eletroeletrônico por ano no Brasil.
Parece muito, mas é pouco, no total de resíduos sólidos gerados no país, perto de 80 milhões de toneladas. Mas o crescimento desse lixo de luxo tem sido grande.

Segundo dados do Banco Mundial, o volume dele aumenta três vezes mais rápido do que o do lixo comum. Destaque para economias emergentes, como as dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), onde a ampliação das populações de classe média tem gerado uma procura explosiva por esses bens de consumo.

Além do volume crescente, o que complica a destinação correta, a reciclagem desse material, é a complexidade dele. Em cada aparelho, centenas de componentes, milhares de conexões, uma infinidade de materiais.

“Parece simples, isso aqui é plástico, isso é plástico, aqui você tem plástico. Só que esse plástico tem uma temperatura de fusão que não bate com essa aqui, que não combina com o botão, que não combina com essa etiqueta plástica, que não combina com os rolamentos. Cada um é um plástico”, explicou Júlio César De Andrade, gestor da central de resíduos eletrônicos.

Julio é um empresário que trabalha com sucata eletrônica em parceria com a prefeitura de Sorocaba, no interior paulista. Ele explica qual o material mais valioso.

“O que tem valor agregado, que interessa para a gente, são os componentes eletrônicos mesmo. Memória, processador”, afirmou Júlio.

Essas placas de circuito integrado, cada vez mais presentes em tudo, contêm metais pesados e potencialmente poluidores, como chumbo, mercúrio, cádmio, níquel. Mas também metais valiosos como ouro, prata, cobre. O garimpo urbano, atrás desses elementos, é intenso.

E nem é preciso procurar muito. Onde existe lixo, existem materiais eletrônicos. Num local, as pessoas trabalham basicamente reunindo papelão e plástico. Mas encontra-se muito mais coisas. Inclusive na beira de um córrego, onde eles trabalham. Pode não parecer, mas um dos objetos é uma tela de TV já dessas modernas, fininhas. E olhando mais para lá, se encontra de tudo.

E Dona Luciana aproveita tudo que pode.

Jornal Nacional: A senhora abre esses equipamentos?
Luciana: Abrimos.
Jornal Nacional: Onde a senhora faz isso?
Luciana: Aqui mesmo, sentada aqui.

A retirada dos metais das placas não deve ser trabalho de fundo de quintal. E existem  vídeos, na internet, ensinando a fazer isso com o uso de substâncias perigosas, como ácidos.

A equipe do JN localizou um tal “professor”: um técnico em manutenção de computadores de Osasco, na grande São Paulo. Ele reconheceu: além de perigosíssimo, o método não dá resultado. Mas e o risco pra quem seguiu as instruções dele?

Jornal Nacional: O senhor nunca tinha pensado nisso?
Técnico: Não, não tinha pensado nisso.

O reaproveitamento de certos materiais, principalmente metais, presentes nos resíduos eletrônicos não significa somente que eles vão deixar de degradar o meio ambiente em lixões. Na verdade, isso significa também uma redução na necessidade de se minerar esses elementos, retirá-los da natureza – o que também é uma agressão ao meio ambiente.

Para se ter uma ideia, em sete anos, só a extração de ouro e cobre no Brasil gerou, em sobras de mineração, o equivalente ao peso do Pão de Açúcar, calculado em 580 milhões de toneladas.

“Na Suécia, já se fala de mineração do resíduo eletroeletrônico. Indica que, ao invés de tirar os minerais preciosos, por exemplo, da mina, eu vou fazer mineração nos resíduos eletroeletrônicos”, afirmou Tereza de Brito Carvalho, coordenadora do Laboratório de Sustentabilidade- Poli/USP.

O processo correto, industrial, nem existe em grande escala no Brasil, que, basicamente, exporta as placas para poucas usinas especializadas, na Europa e na Ásia. O que existe por aqui é muita pesquisa, como no laboratório da faculdade de química da USP que estuda métodos para a separação de metais. Uma área que só tende a crescer.

“Nós estamos indo agora para um caminho onde a reciclagem é tão importante quando a mineração. Ou mais. Por exemplo, é o caso do alumínio. Hoje, o alumínio processado já consegue ganhar, em certos lugares, do alumínio produzido por mineração, graças a Deus”, contou Henrique Eisi Toma, professor titular do instituto de Química/USP


Mais informações no livro:

capa-oficial

Disponível na livraria Saraiva: (baixe uma amostra)

Divulgação na mídia:

http://www.unesp.br/portal#!/noticia/23943/logistica-reversa-de-residuos-de-eletroeletronicos/

É ótimo ver uma dissertação do mestrado realizada na Unesp ter-se transformada num livro sobre tema tão relevante e atual“, diz Jorge Muniz, Editor da Revista Production e coordenador do Programa de Pós-graduação em Engenharia de produção – Curso de Mestrado Profissional.

Detalhes do livro digital:

Descrição
A venda de Equipamentos Eletroeletrônicos (EEE) cresce, no mundo, em razão das inovações tecnológicas e da rapidez com que eles se tornam obsoletos, o que implica o aumento da geração de um resíduo sólido denominado Resíduo de Equipamento Eletroeletrônico (REEE). O REEE é um problema relevante, visto que contém diversas substâncias tóxicas capazes de provocar danos ao meio ambiente e à saúde humana. Dessa forma, torna-se necessário um gerenciamento ambientalmente adequado. Após a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil – Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, passou a caber a fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de EEE o dever de implementar sistemas de Logística Reversa (LR), os quais objetivam o retorno dos produtos após o uso pelo consumidor. Apesar de o setor de eletroeletrônicos se preocupar com a LR de seus produtos, a LR do REEE é um tema ainda pouco explorado, tanto no âmbito nacional quanto no internacional. De fato, resíduo eletroeletrônico é um tema novo na literatura. Este livro tem por objetivo identificar como a gestão de REEE pode contribuir para a melhoria do desempenho da cadeia de suprimentos de EEE no Brasil, no contexto da sustentabilidade ambiental.

O autor
Uanderson Rébula de Oliveira é Doutorando em Engenharia e Mestre em Engenharia de Produção pela UNESP. Pós-graduado em Controladoria e Finanças pela UFLA e em Logística Empresarial pela UNESA. Graduado em Ciências Contábeis. Técnico em Metalurgia e em Segurança do Trabalho. Possui diversos cursos de extensão. Por meio dos programas de mestrado e doutorado, desenvolve regularmente pesquisas sobre logística reversa de resíduos de eletroeletrônicos. É professor em universidades da região Sul Fluminense (RJ), desde 2006, nos cursos de graduação e pós-graduação, atuando nas áreas de logística, administração da produção, qualidade, segurança do trabalho, meio ambiente, estatística, contabilidade e finanças. Vivência de 21 anos em ambiente industrial, onde atuou em diversas funções operacionais e técnicas voltadas à administração da produção, logística, gestão de estoques, qualidade, segurança e meio ambiente. Possui ampla experiência em instrução e desenvolvimento de cursos corporativos, na indústria, com mais de 20.000 treinados em todos os níveis funcionais.

Sumário

INTRODUÇÃO AOS RESÍDUOS ELETROELETRÔNICOS
1.1 O problema dos resíduos eletroeletrônicos, 13
1.2 Importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, 16
1.3 A escassez de publicações sobre logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, 18
1.4 Algumas bases de dados sobre resíduos eletroeletrônicos, 21
1.5 Síntese de publicações sobre logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, 23

2. SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL, GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E OS RESÍDUOS ELETROELETRÔNICOS
2.1 Panorama global da população e geração de resíduos sólidos, 25
2.2 Panorama global do nível de renda e geração de resíduos sólidos, 28
2.3 Panorama global do nível de renda e aquisição de eletroeletrônicos, 29
2.4 Panorama global do consumo de recursos naturais e a economia linear, 30
2.5 Eletroeletrônicos: características, preços, aplicações e as reservas globais, 33
2.6 Sustentabilidade ambiental: conceitos básicos e o Triple Bottom Line, 35
2.7 Sustentabilidade ambiental: evolução global e o envolvimento do Brasil, 36
2.8 Gestão de resíduos sólidos: status e desafios – Agenda 2030/Economia Circular, 41

3. FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA REVERSA
3.1 Surgimento e conceitos de logística reversa, 50
3.2 Atividades da logística reversa, 51
3.3 Benefícios da logística reversa, 53
3.4 Casos de sucesso envolvendo a logística reversa, 54
3.5 Desafios para a melhoria do desempenho da logística reversa no Brasil, 56

4. GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL E O RESÍDUO ELETROELETRÔNICO
4.1 Panorama brasileiro da população, renda e geração de resíduos sólidos, 59
4.2 Política Nacional de Resíduos Sólidos e a logística reversa de eletroeletrônicos, 61
4.3 A PNRS e os resíduos eletroeletrônicos: evolução, status e desafios, 71

5. SETOR DE ELETROELETRÔNICOS E SEUS RESÍDUOS
5.1 Características do setor de eletroeletrônicos brasileiro, 77
5.2 Panorama brasileiro do consumo de eletroeletrônicos, 78
5.3 Panorama global do consumo de eletroeletrônicos, 80
5.4 Vida útil dos equipamentos eletroeletrônicos, 81
5.5 Panorama global e brasileiro da geração de resíduos eletroeletrônicos, 82
5.6 Resíduos eletroeletrônicos e seus impactos, 88
5.7 Resíduos eletroeletrônicos e as iniciativas ambientais globais, 91
5.8 Resíduos eletroeletrônicos e a exportação global ilegal, 92
5.9 A logística reversa atual dos resíduos eletroeletrônicos no Brasil, 95
5.10 A logística reversa ideal dos resíduos eletroeletrônicos, 102
5.11 Benefícios da logística reversa dos resíduos eletroeletrônicos, 105

6. RESUMO ESQUEMATIZADO DOS CAPÍTULOS 2, 3, 4 E 5, 107

7. LEGISLAÇÃO E PRÁTICAS INTERNACIONAIS (Elementos determinantes ao Brasil)
7.1 Breve histórico da gestão de resíduos sólidos, 116
7.2 A políticaResponsabilidade Estendida do Produtor: evolução e implementação, 116
7.3 Instrumentos da políticaResponsabilidade Estendida do Produtor, 126
7.4 Países benchmarking em gestão de resíduos sólidos e suas práticas, 130
7.5 Países benchmarking em gestão de resíduos eletroeletrônicos e suas práticas, 132
7.6 Elementos para a melhoria da gestão de resíduos eletroeletrônicos no Brasil, 143

8. ESTUDO DE CASO DE LOGÍSTICA REVERSA DE RESÍDUOS ELETROELETRÔNICOS NO BRASIL
8.1 Tecnologias de identificação de produtos, 157
8.2 Tecnologia de códigos de barras: uma revisão, 157
8.3 Tecnologia RFID: uma revisão, 160
8.4 Gestão de resíduos eletroeletrônicos: a RFID e o projeto Smartwaste da HP, 170

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 181

APÊNDICES E ANEXOS
Apêndice I – Síntese de publicações sobre logística reversa de eletroeletrônicos, 199
Anexo I – Íntegra da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), 204
Anexo II – Íntegra do Decreto nº 7.404, de 23/12/2010, que regulamentou a PNRS, 222
Anexo III – Íntegra do Edital nº 01/2013 do Ministério do Meio Ambiente, 241
Anexo IV – Íntegra da Diretiva 75/442/EEC – Relativa aos resíduos, 246
Anexo V – Íntegra da Diretiva 2008/98/EC – Relativa aos resíduos, 250
Anexo VI – Íntegra da Diretiva 2012/19/UE – Relativa aos resíduos eletroeletrônicos, 280
Anexo VII – Íntegra da Diretiva 2011/65/UE – RoHS – Relativa à restrição do uso de substâncias perigosas nos eletroeletrônicos, 311

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