Edição do dia 11/11/2015

Estudo identificou taxas anormais de metais como chumbo e cádmio em catadores de resíduos eletroeletrônicos.

A vida conectada exige aparelhos, que vão ficando obsoletos. A cada passo da tecnologia, eles viram lixo. E um lixo muito perigoso de ser manuseado.

Região da Santa Efigênia. Importante comércio de eletrônicos, em São Paulo. A poucos quarteirões de onde são vendidas as últimas novidades, a equipe da TV Globo encontrou um estabelecimento. O dono, conhecido como ‘alemão da sucata’, conta que já foi chefe de um centro de processamento de dados.

“O lixo que eu dava. O cara ganhava mais do que eu. O cara chegou pra mim e falou “Por que você joga fora? Por que você não vende isso?”, contou Antonio Geraldo Rinaldi, comerciante.

Tudo tem seu valor. Um ou outro aparelho ainda pode funcionar. O restante… “A gente quebra, a gente corta, tira o fio, tira o alumínio, tira as placas de circuito integrado”, afirmou Antonio.

Ali mesmo, na calçada. “Tem material que custa R$200, R$300 quilo”, contou Antonio.

A sucata eletrônica pode ser meio de vida, mas tem seus perigos. Um estudo da Faculdade de Medicina da USP já identificou taxas anormais de metais como chumbo e cádmio no sangue de catadores.

“É um sinal de alerta pra gente pensar ‘bom, alguma coisa está acontecendo’. Por que essas pessoas têm mais cádmio do que uma pessoa que não trabalha com aqueles resíduos, naquelas condições de trabalho?”, disse Nelson Gouveia, médico e professor do Departamento de Medicina Preventiva/USP.

E queimar peças para separar os metais, gerando fumaças tóxicas, só aumenta o perigo. “Essa reciclagem tem que ser feita com condições mínimas de segurança”, afirmou Nelson Gouveia.

O trabalho dos catadores é fundamental para a reciclagem de lixo. Mas no caso do eletrônico, exige capacitação.

“Não é muito complicado, não. É muito bom. Eu aprendi: dentro do computador, aquelas peças que é a placa mãe, tem a ventoinha, tem o processador, tem o processador, tem o DVD”, disse Maria Carmelita Santos de Jesus, catadora.

Cursos como o do projeto Eco Eletrônico, parceria da USP com o Instituto GEA, uma organização não-governamental, já passaram por várias capitais brasileiras. Os resultados, para os catadores, são quase imediatos.

A informação e a qualificação abrem horizontes. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Cotia, na grande São Paulo. Uma cooperativa de catadores e recicladores já tem 15 anos, mas há apenas quatro os chamados resíduos eletrônicos deixaram de ser tratados como lixo comum. Mudaram de endereço, bem pertinho.

Lá dentro, em plena atividade, a Renilda aplica e repassa o treinamento que recebeu.

“A gente jogava tudo isso, tudo ia pra sucata a preço de nada. Então, as pessoas que vinham e pegavam acho que eles enricaram nas nossas custas. Quando você não aprende, você não sabe nada, fica difícil”, afirmou Renilda Maria de Sousa, catadora.

Cena gravada em Manaus, grande polo da indústria eletroeletrônica, onde visitamos uma cooperativa de catadores. O treinamento para lidar com eletroeletrônicos certamente não chegou até lá. O pessoal diz que recebe um volume bem pequeno desse tipo de material. E de uma televisão, só aproveita o plástico e alguns metais.

Jornal Nacional: Mas e o vidro, o tubo mesmo?
Catadora: Nós não temos mercado pra ele.
Jornal Nacional: Vai pra onde?
Catador: Para o lixão.

Manaus tem um único grande aterro sanitário legalizado e vários lixões clandestinos, na periferia, como o mostrado no vídeo, ao lado de uma área ocupada por centenas de famílias de sem-teto. Do outro lado, Floresta Amazônica.

O visual por trás do lixão mostra a quantidade de material que existe acumulado ao longo de anos. E que de lá de cima, a gente não percebe, porque ela vai sendo aterrada. Só que um dos lados fica descoberto e encostadinho na mata.

Uma investigação da Câmara Municipal e da Prefeitura de Manaus, nesta e em outras áreas, encontrou materiais vindos de 17 empresas do polo industrial da cidade. O Ministério Público do Amazonas abriu inquéritos para apurar a responsabilidade das indústrias.

“Elas alegam que contrataram terceirizadas e que, em função disso, elas se eximem de qualquer responsabilidade, mas a lei federal que trata da questão de resíduos sólidos deixa bem claro que ela tem responsabilidade até a destinação final dos resíduos”, afirmou Everaldo Farias Lima, Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Manaus.

A procuradora do Instituto de Proteção Ambiental do estado diz que é preciso fiscalizar para evitar abusos, mas que a solução definitiva depende de investimento em reciclagem.

“É preciso que o setor produtivo veja o lixo como um produto, passível de gerar emprego e renda, e uma renda substancial. Na hora que se entender que o lixo aqui produzido, como em qualquer outro lugar, é uma oportunidade de desenvolvimento econômico, é uma oportunidade de negócios, ele deixa de ser lixo”, disse Ana Eunice Aleixo, diretora-presidente do IPAAM.


Mais informações no livro:

capa-oficial

Disponível na livraria Saraiva: (baixe uma amostra)

Divulgação na mídia:

http://www.unesp.br/portal#!/noticia/23943/logistica-reversa-de-residuos-de-eletroeletronicos/

É ótimo ver uma dissertação do mestrado realizada na Unesp ter-se transformada num livro sobre tema tão relevante e atual“, diz Jorge Muniz, Editor da Revista Production e coordenador do Programa de Pós-graduação em Engenharia de produção – Curso de Mestrado Profissional.

Detalhes do livro digital:

Descrição
A venda de Equipamentos Eletroeletrônicos (EEE) cresce, no mundo, em razão das inovações tecnológicas e da rapidez com que eles se tornam obsoletos, o que implica o aumento da geração de um resíduo sólido denominado Resíduo de Equipamento Eletroeletrônico (REEE). O REEE é um problema relevante, visto que contém diversas substâncias tóxicas capazes de provocar danos ao meio ambiente e à saúde humana. Dessa forma, torna-se necessário um gerenciamento ambientalmente adequado. Após a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil – Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, passou a caber a fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de EEE o dever de implementar sistemas de Logística Reversa (LR), os quais objetivam o retorno dos produtos após o uso pelo consumidor. Apesar de o setor de eletroeletrônicos se preocupar com a LR de seus produtos, a LR do REEE é um tema ainda pouco explorado, tanto no âmbito nacional quanto no internacional. De fato, resíduo eletroeletrônico é um tema novo na literatura. Este livro tem por objetivo identificar como a gestão de REEE pode contribuir para a melhoria do desempenho da cadeia de suprimentos de EEE no Brasil, no contexto da sustentabilidade ambiental.

O autor
Uanderson Rébula de Oliveira é Doutorando em Engenharia e Mestre em Engenharia de Produção pela UNESP. Pós-graduado em Controladoria e Finanças pela UFLA e em Logística Empresarial pela UNESA. Graduado em Ciências Contábeis. Técnico em Metalurgia e em Segurança do Trabalho. Possui diversos cursos de extensão. Por meio dos programas de mestrado e doutorado, desenvolve regularmente pesquisas sobre logística reversa de resíduos de eletroeletrônicos. É professor em universidades da região Sul Fluminense (RJ), desde 2006, nos cursos de graduação e pós-graduação, atuando nas áreas de logística, administração da produção, qualidade, segurança do trabalho, meio ambiente, estatística, contabilidade e finanças. Vivência de 21 anos em ambiente industrial, onde atuou em diversas funções operacionais e técnicas voltadas à administração da produção, logística, gestão de estoques, qualidade, segurança e meio ambiente. Possui ampla experiência em instrução e desenvolvimento de cursos corporativos, na indústria, com mais de 20.000 treinados em todos os níveis funcionais.

Sumário

INTRODUÇÃO AOS RESÍDUOS ELETROELETRÔNICOS
1.1 O problema dos resíduos eletroeletrônicos, 13
1.2 Importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, 16
1.3 A escassez de publicações sobre logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, 18
1.4 Algumas bases de dados sobre resíduos eletroeletrônicos, 21
1.5 Síntese de publicações sobre logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, 23

2. SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL, GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E OS RESÍDUOS ELETROELETRÔNICOS
2.1 Panorama global da população e geração de resíduos sólidos, 25
2.2 Panorama global do nível de renda e geração de resíduos sólidos, 28
2.3 Panorama global do nível de renda e aquisição de eletroeletrônicos, 29
2.4 Panorama global do consumo de recursos naturais e a economia linear, 30
2.5 Eletroeletrônicos: características, preços, aplicações e as reservas globais, 33
2.6 Sustentabilidade ambiental: conceitos básicos e o Triple Bottom Line, 35
2.7 Sustentabilidade ambiental: evolução global e o envolvimento do Brasil, 36
2.8 Gestão de resíduos sólidos: status e desafios – Agenda 2030/Economia Circular, 41

3. FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA REVERSA
3.1 Surgimento e conceitos de logística reversa, 50
3.2 Atividades da logística reversa, 51
3.3 Benefícios da logística reversa, 53
3.4 Casos de sucesso envolvendo a logística reversa, 54
3.5 Desafios para a melhoria do desempenho da logística reversa no Brasil, 56

4. GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL E O RESÍDUO ELETROELETRÔNICO
4.1 Panorama brasileiro da população, renda e geração de resíduos sólidos, 59
4.2 Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e a logística reversa de eletroeletrônicos, 61
4.3 A PNRS e os resíduos eletroeletrônicos: evolução, status e desafios, 71

5. SETOR DE ELETROELETRÔNICOS E SEUS RESÍDUOS
5.1 Características do setor de eletroeletrônicos brasileiro, 77
5.2 Panorama brasileiro do consumo de eletroeletrônicos, 78
5.3 Panorama global do consumo de eletroeletrônicos, 80
5.4 Vida útil dos equipamentos eletroeletrônicos, 81
5.5 Panorama global e brasileiro da geração de resíduos eletroeletrônicos, 82
5.6 Resíduos eletroeletrônicos e seus impactos, 88
5.7 Resíduos eletroeletrônicos e as iniciativas ambientais globais, 91
5.8 Resíduos eletroeletrônicos e a exportação global ilegal, 92
5.9 A logística reversa atual dos resíduos eletroeletrônicos no Brasil, 95
5.10 A logística reversa ideal dos resíduos eletroeletrônicos, 102
5.11 Benefícios da logística reversa dos resíduos eletroeletrônicos, 105

6. RESUMO ESQUEMATIZADO DOS CAPÍTULOS 2, 3, 4 E 5, 107

7. LEGISLAÇÃO E PRÁTICAS INTERNACIONAIS (Elementos determinantes ao Brasil)
7.1 Breve histórico da gestão de resíduos sólidos, 116
7.2 A políticaResponsabilidade Estendida do Produtor: evolução e implementação, 116
7.3 Instrumentos da políticaResponsabilidade Estendida do Produtor, 126
7.4 Países benchmarking em gestão de resíduos sólidos e suas práticas, 130
7.5 Países benchmarking em gestão de resíduos eletroeletrônicos e suas práticas, 132
7.6 Elementos para a melhoria da gestão de resíduos eletroeletrônicos no Brasil, 143

8. ESTUDO DE CASO DE LOGÍSTICA REVERSA DE RESÍDUOS ELETROELETRÔNICOS NO BRASIL
8.1 Tecnologias de identificação de produtos, 157
8.2 Tecnologia de códigos de barras: uma revisão, 157
8.3 Tecnologia RFID: uma revisão, 160
8.4 Gestão de resíduos eletroeletrônicos: a RFID e o projeto Smartwaste da HP, 170

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 181

APÊNDICES E ANEXOS
Apêndice I – Síntese de publicações sobre logística reversa de eletroeletrônicos, 199
Anexo I – Íntegra da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), 204
Anexo II – Íntegra do Decreto nº 7.404, de 23/12/2010, que regulamentou a PNRS, 222
Anexo III – Íntegra do Edital nº 01/2013 do Ministério do Meio Ambiente, 241
Anexo IV – Íntegra da Diretiva 75/442/EEC – Relativa aos resíduos, 246
Anexo V – Íntegra da Diretiva 2008/98/EC – Relativa aos resíduos, 250
Anexo VI – Íntegra da Diretiva 2012/19/UE – Relativa aos resíduos eletroeletrônicos, 280
Anexo VII – Íntegra da Diretiva 2011/65/UE – RoHS – Relativa à restrição do uso de substâncias perigosas nos eletroeletrônicos, 311

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